O CORPO

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Até que ponto cuidamos do nosso corpo? Até que ponto o nosso corpo pertence-nos realmente?

Uma das melhores memórias olfactivas que tenho é de entrar nas aulas de ballet com apenas 3 anos e sentir o odor da pele das sabrinas, da madeira da sala e do piano. Este cheiro acompanha-me sempre, recordo-me tão bem dele que quando o quero sentir basta inspirar e...
Talvez este cheiro me seduza tanto por estar associado a outro elemento que também me tem vindo a acompanhar ao longo dos anos - a dança.
Peter Brook encenador reconhecido certo dia resolveu atravessar o Mediterrânio e dirigir-se para o nosso continente vizinho - África - onde teve a oportunidade de trabalhar directamente com alguns habitantes locais e após vários ensaios e já de volta faz uma consideração num dos seus livros que acredito ser muito pertinente "relativamente aos ocidentais os africanos tem o corpo mais perto espiríto"! Será que nós os ocidentais em volta dos nossos computadores, telemóveis, ecrans plasma, dvd's nos esquecemos do nosso corpo? Ou seja será que estamos realmente ligados a ele, que comunicamos com ele?
A exposição severa e crua a que o nosso corpo está sujeito vezes sem conta na publicidade gera banalização torna-o num objecto sem espirito ou sem integridade. Esta banalização por curioso que pareça não transformou o corpo num elemento autónomo, capaz de comunicar sem restrições ou convenções pelo contrário cada vez se torna mais dificil o toque como expressão de um sentimento ou emoção.
Quando amamentava o meu filho ouvi da boca de muitas mulheres "ainda amamentas? porquê? isso deve ser muito cansativo e não deve ser nada agradável" - eu não queria acreditar!! Antigamente as mães amamentavam os seus filhos até aos três anos de idade sem nenhum preconceito. Qual é o nosso problema?
Mães amamentem os vossos filhos, acariciem os vossos amantes, beijem os vossos amigos, dancem, transpirem... O nosso corpo é um instrumento, devemos tratá-lo bem e não nos esquecermos dele.
Uma carícia pode querer dizer mil palavras e fazer a diferença!